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Perícia grafotécnica: exame de assinaturas e escritas à mão

Comparo a assinatura em dúvida com assinaturas de autoria conhecida e mostro, no laudo, onde elas convergem e onde divergem.

Compara com
padrões de autoria conhecida
Coleta de padrões
presencial ou por vídeo
Prazo
até 20 dias, conforme o caso
Escrita de exemplo, feita com uma fonte de computador. Não é a assinatura de ninguém.

A perícia grafotécnica compara uma assinatura ou escrita em dúvida com assinaturas da mesma pessoa cuja autoria é certa, chamadas padrões. O exame mostra se a peça questionada é compatível com esses padrões e, quando não é, que tipo de falsificação os sinais indicam.

Quando faz sentido

O exame também serve para confirmar uma assinatura verdadeira. Assinatura diferente do costume, por doença, pressa ou posição incômoda, não é sinônimo de falsa.

O que o exame compara

Começo pelo que se vê de longe e passo ao detalhe com ampliação. Os traços que mais ajudam são os que a pessoa repete sem perceber: são difíceis de esconder e difíceis de imitar.

Forma e proporção
O desenho de cada letra e o tamanho de uma parte em relação à outra.
Inclinação e alinhamento
Para que lado as letras pendem e como a escrita se comporta em relação à linha.
Espaçamento
A distância entre letras, palavras e traços.
Pressão
A força da caneta no papel, vista na largura do traço e nos sulcos.
Velocidade e ritmo
Se a caneta correu ou foi desenhando devagar.
Ataques e remates
Como cada traço começa e termina.
Levantamentos da caneta
Onde a mão parou e recomeçou.
Ordem dos traços
Em que sentido e em que sequência cada letra foi feita.

Escrita de exemplo, feita com uma fonte de computador. Não é a assinatura de ninguém.

O que reunir

  • O documento em dúvida, de preferência o original
  • Documentos com a assinatura da pessoa feitos na mesma época, como contratos, cheques e documentos em órgãos públicos
  • Se a assinatura foi feita em tablet ou aplicativo, o arquivo original com os dados capturados, pedido a quem apresentou o documento (o print não serve)
  • Se faltarem assinaturas para comparar, disponibilidade para assinar diante de mim, pessoalmente ou por vídeo

Não existe um número fixo de assinaturas aceito por todos. Elas precisam ser autênticas, da mesma época e do mesmo tipo da assinatura em dúvida, e em número suficiente para mostrar como a escrita da pessoa varia.

Até o exame, guarde o documento numa pasta, esticado e sem grampo, e não escreva sobre ele nem sobre uma folha apoiada nele. Os sulcos e as dobras do original também são examinados.

Original ou cópia?

Numa cópia boa dá para comparar a forma da escrita. Pressão, sulcos, tinta, rasuras e retoques só aparecem no original. Numa cópia, uma assinatura verdadeira pode ter sido transplantada de outro papel, então a assinatura compatível não prova que o documento todo é autêntico. O laudo diz quando o exame foi feito em cópia e o que isso limita.

Os tipos de falsificação

Sem imitação
Quem falsifica não conhece a assinatura e inventa uma.
De memória
Já viu a assinatura, mas não tem o modelo na hora.
Imitação servil
Copia com o modelo à vista.
Imitação exercitada
Treina até reproduzir sem olhar o modelo.
Decalque
Copia o traço por transparência ou cobre um esboço feito antes.
Montagem
Aproveita a assinatura ou partes de outro documento verdadeiro.
Disfarce
A própria pessoa altera a assinatura para negá-la depois.

O que você recebe

No processo, como perita do juízo
o laudo, com o objeto, a análise, o método e a resposta a cada quesito.
No processo, como assistente técnica
o parecer sobre o laudo do perito do juízo, para a parte que me contratou.
Fora do processo
um parecer técnico particular, que pode ser juntado a um processo depois.

O laudo e o parecer saem em linguagem simples, com imagens e com o método explicado, para que você, o advogado e o juiz possam conferir o caminho até a conclusão.

Os limites do exame

Nenhum exame dá certeza absoluta. No laudo, mostro como cheguei à conclusão, para que o juiz e as partes possam conferir. Separar o disfarce feito pelo próprio titular de uma imitação feita por outra pessoa é o caso mais difícil. Rubricas e assinaturas muito curtas podem não ter elementos suficientes para concluir.

O exame também não diz quem falsificou. Essa é outra pergunta, que só se examina depois de concluir que houve imitação e que pede assinaturas de quem é suspeito.

Perguntas

  1. Grafotécnica e grafologia são a mesma coisa?

    Não. A grafologia tenta deduzir a personalidade pela letra. A perícia grafotécnica identifica a autoria e não faz nenhuma suposição sobre personalidade ou estado mental.

  2. Quanto tempo demora?

    No exame particular, até 20 dias, conforme o caso, e o prazo vem na proposta. Num processo, quem fixa o prazo é o juiz, e o laudo precisa estar nos autos pelo menos 20 dias antes da audiência.

  3. Quanto custa?

    Depende do caso, e por isso o valor vem numa proposta por escrito: varia com o tipo de exame, a quantidade de documentos e de padrões e o deslocamento. Num processo, os honorários do perito do juízo são fixados pelo juiz.

  4. A perícia dá certeza absoluta?

    Não. O exame é probabilístico. Num estudo citado em artigo brasileiro, peritos erraram 3,9% ao separar assinaturas genuínas de imitadas; pessoas sem treino, 19,3%. Por isso o laudo mostra o método, e o juiz avalia a prova por ele.

Conte o seu caso

Diga que documento é, se já existe processo e qual é o prazo. Não mande o documento agora: combinamos o envio depois da proposta.

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